PRESTE ATENÇÃO
         

Comportamento, estilo e design, cada vez mais dinâmicos, efervescentes e integrados fazem com que as tendências apontem para direções variadas e multi-dimensionais, que exigem cada vez mais profissionais antenados com tudo que acontece no dia-a-dia.
O quadro “Preste Atenção” busca farejar essas tendências, trazendo a opinião de profissionais de diversas áreas sobre produtos, pessoas, lugares, processos, enfim sobre tudo aquilo que pode vir a se tornar tendência.

O Profissional Antennado dessa edição é a vitrinista e pesquisadora Sylvia Demetresco, licenciada  em Artes Plásticas pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), com curso de Vitrinismo na Berufs Holderung In Schaufenster, Munique e Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica PUC-SP e pós-doutorado na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e no Instituto Universitário da França (Séminaire Intersémiotique au E.H.E.S.S.- I.U.F.). É professora e conselheira do IBModa, atulamente leciona no curso “Universo do luxo”, na Ecole Supérieure de Visual Merchandising, em Vevey, na Suíça e reside em Paris, onde atua como consultora em vitrinismo.

 

Homem – Hedonismo.

Parece que o homem atual quer tudo para si! Unir solidariedade e individualismo! O querer ser único e diferente! Ao mesmo tempo sair e ficar. É o materialismo versus a espiritualidade. O consumidor quer ser tratado como único: quer prazer, quer sensações, sentidos no que adquire! Cada produto deve ter um valor agregado, é o consumo multisensorial, que se une a uma volta ao habitat onde encontra sua individualidade, seu lar!

 


Mulher – Tribalismo.

Em relação à mulher, sua tendência, é a de se comportar em relação à moda conforme as características da tribo à qual pertence. As mulheres procuram se vestir de acordo com seu autoconceito. As consumidoras não compram apenas produtos, serviços e marcas: elas adquirem imagens percebidas e que, ao serem apreendidas, se transformam em seu querer. Assim a função do vestuário no contexto social é designar o indivíduo, é investir na produção do corpo!

Casa – Intimismo.

A casa, a arte, a moda e as vitrinas nos cercam com cenas cotidianas e íntimas, pois tudo circula pelo mesmo diapason! O indivíduo de hoje é como a peça central de um enorme jogo de intimidade: cada sujeito está pronto a absorver o clima dos ambientes propostos, sejam eles a moda ou a casa. Tudo se torna mais íntimo. Imagem, som e odor completam a competência de um  produto, reforçam as mensagens na memória e fazem cada um de nós viver o que queremos viver!

Loja – Interatividade.
Nas lojas a meta é atingir o fator psicológico do público em geral, a partir de detalhes numa ambientação que informe e seduza o maior número possível de pessoas totalmente diferentes. Cada lugar deve ser “especial”: pode ser antigo ou novo, não importa, mas cada um deles deve mostrar um novo arranjo ou uma nova disposição, cuja decoração seja reciclada, acompanhada de efeitos técnicos originais, com elementos e cores inusitados, pois é por esses canais que os efeitos físicos e psicológicos fazem o comércio viver ou “morrer”.

Luxo – Anticonsumo.

Tempo e dinheiro são as duas condições básicas que trazem a possibilidade de o consumo ser efetivado. Atualmente há duas linhas de consumo: a do luxo e a do – paradoxalmente – anticonsumo. A primeira não segue um modelo único e aumenta gradativamente em todos os níveis sociais; a segunda, por sua vez, é orientada para a compra de objetos que, apesar de necessários, devem também fazer o bem, como os projetos sustentáveis ou que não abusam de pessoas e animais. O renovar não é motivado pela originalidade ou pelo individualismo, mas pela preocupação de não se distanciar do que as pessoas de um determinado grupo fazem ou, por exemplo, vestem.

Produto – Marca.

O posicionamento de uma marca e de seus produtos, hoje, confirma seus valores na sua dimensão formal, o que permite imergir na questão do conteúdo. Os valores propostos realçam-se pelas construções figurativas que criam efeitos de beleza, de sedução, de liberdade, de individualidade, de qualidade e de confiança. Para cada um dos valores, as estratégias variam assim como seus dispositivos formais, que sempre constroem a ilusão de variedade

Design – Humanização.

O caminho do design segue essa carência afetiva na busca pelo humano e emotivo. Ao contrário da época de Bauhaus onde a forma seria a função, o design busca cada vez mais se relacionar com os sentidos, numa estética mais delicada e confortável.

Havaianas

Têm uma identidade visual que se reitera constantemente e cria, portanto, uma estética cultural própria deles, seguindo seus caminhos particulares sem assumir necessariamente uma estética atual – pelo menos por enquanto.

Natura

Sua identidade visual e cultural é só deles, estão entrando no mercado europeu de modo que é uma empresa nacional que, com uma estética cultural própria, se preocupa com os dois consumidores de hoje: o do luxo e o do anticonsumo, por sua ética em relação à natureza.


Dior

A marca da alta costura que continua sempre com o mesmo prestígio. Nas suas vitrinas seus produtos são valorizados pela luz e pela fragmentação das imagens, que revelam os costumes dos seus consumidores.


Hérmes

Pela sua história evolutiva. Hoje é uma das melhores em termos de qualidade e possui grande atuação comunitária através de serviços sociais.


Lanvín

Na moda este é outro costureiro que se preocupa muito com o homem e também com a mulher: as grifes e suas identidades se dissolvem numa imagem que dá margem a imaginação do ser e do parecer.


Louis Vuitton

As bolsas desta marca são referência de moda para milhares de consumidores/as no planeta. A lógica mercadológica mostra que esta marca, forte e muito presente na moda, se agarra à estética na produção e na estratégia de apresentação de seus produtos, promovendo, assim, uma interação entre a lógica empresarial e as atitudes comportamentais de seus consumidores em relação a seus queridos produtos.

     
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